17 de abr de 2011

Sobre liberdade, palavra e silêncio


Todos os recursos de mídia hodiernamente existentes nos dão a oportunidade de expressarmo-nos quanto aos mais diversos assuntos. Entretanto toda a facilidade e velocidade da informação também nos deixam fragilizados, desnudados em nossa intimidade. É o ônus da liberdade de expressão, seja escrita, seja oral. Quem escreve e fala o que pensa também desfruta de inúmeros benefícios e, dentre eles, é saber que existem pessoas que compartilham dos nossos pensamentos e que, por temor, proteção, “estratégia” ou..., preferem esconder seus mais sublimes sentimentos. É legitimo, é democrático, é um direito... Aí outros seres têm que fazer este trabalho. Certamente eu fui escalado para tal finalidade, disse-me certa feita uma pessoa que realizou a leitura de nosso papel neste plano.
Trouxemos a baila o tema, por assim dizer, uma vez que ao longo da trajetória de nossas vidas fomos ou ainda somos oprimidos (todos nós, indistintamente), muitas vezes, por professores, chefes (estes nem se fala), amigos, pais, etc. nos desestimulando a não falar ou escrever sobre assuntos delicados ou polêmicos, invocando que o silêncio nos protege, principalmente dos poderes de toda espécie, sejam políticos, financeiros ou organizacionais. Uma verdade relativa.
Aprendemos, até porque é da nossa essência como seres humanos reagir em caso de simples ameaça, que a liberdade (de expressão, de ir e vir, etc.) é um bem essencial da vida e sem ela não conseguimos viver e sim sobreviver. Assim, exercê-la em sua plenitude e com a toda a força é primordial, pois pensamos que o silêncio absoluto é o alimento que necessitam todos os transgressores e aproveitadores para manterem-se no poder. É claro que essa não é a única forma, pois as mentiras, a falsidade, também integram este rol de “matérias-primas” que sustentam os poderosos de todas as matizes, tanto na esfera política como nas organizações.
Não defendemos que os que silenciam por convicção, por traços da personalidade ou por quaisquer outros motivos transformem-se em verdadeiros transmissores de seus pensamentos de forma freqüente e ostensiva.  Entretanto, quando das profundezas de seu mundo interior advir sentimentos que brotam de forma genuína e pura e que, por meio da palavra, seja oral, seja escrita, alcança-se um resultado que beneficia o interesse coletivo ou corrige injustiças, decerto não se deve tergiversar nestas ocasiões, pois é provável que o silêncio venha a robustecer as injustiças e os interesses privados.  
Ensinaram-nos também que, às vezes, o silêncio é a melhor resposta, pois quando se está presente fisicamente e o número de interlocutores é ínfimo, os olhos e os gestos podem fazer o papel das palavras. O silêncio igualmente pode gritar e ser eloqüente.
“Palavras e silêncios, que jamais se encontrarão.”

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