7 de mai de 2011

BRs do Ceará, o DNIT e a escolha de seus dirigentes

É inevitável a comparação entre as rodovias federais dos Estados circunvizinhos com as de nosso Estado, cuja situação de conservação e trafegabilidade está em condições muito mais aceitáveis. E assim o é porque decerto os recursos para ali carreados são aplicados ou semi-aplicados em suas finalidades.
Aqui no Ceará convivemos há mais de uma década com a interminável duplicação da BR 116, no trecho que liga Pacajus até Fortaleza, além de ausência de conservação de todas as demais rodovias federais que cortam o nosso Estado – a BR 222 é um buraco só -, num total abandono e descaso do DNIT, seção do Ceará, órgão vinculado ao Ministério dos Transportes do Governo Federal e que é responsável pelas estradas federais.
Este descalabro, até um passado não muito distante, lançava suspeita apenas sobre a gestão do órgão e uma desconfiança se na realidade se tratava de incompetência gerencial ou outro fator. A desconfiança virou um fato que muitos já esperavam, ou seja, a existência de uma rede de corrupção naquela unidade estatal.
Há pouco menos de um ano foi desbaratada uma quadrilha que agia no órgão e toda a sua cúpula foi presa, acusada de desviar recursos e fraudar licitações, em operação realizada pela Polícia Federal.  Em vão para a vida prática de todos, pois as estradas continuam da mesma forma e não há noticias de que os indiciados criminalmente serão punidos, como sempre.
A raiz do problema está na forma de escolha dos dirigentes do órgão, que é realizada por um grupo político do Estado, via seu líder maior (este que escolhe os dirigentes do Ceará nós sabemos), a mando de Brasília, que, como qualquer outro, não defende os interesses da população, mas encastela-se no poder mediante seus asseclas, para locupletar-se, visando angariar fundos para suas campanhas eleitorais – licitações viciadas servem pra isso - e auferir outras benesses financeiras e políticas no âmbito privado. E tudo isso com a complacência de muitos, há anos, pois os representantes cearenses – leiam-se políticos locais - sequer se pronunciam publicamente, porquanto certamente o quinhão que lhes coube na distribuição de cargos do Governo Federal esteja também contaminado por este tipo de podridão... Aqui e acolá se levantam vozes, no âmbito do legislativo estadual, que, logo, logo, se calam. Como sempre eles, os políticos, na origem dos desmandos.
O que chama mais a atenção é que a sociedade civil organizada e grande parte das pessoas enxergam tais fatos como banais. Indignar-se? Improvável. Creio que estamos próximos do fim, pois a inércia do cidadão é o alimento que mantém a corrupção e os desmandos na administração pública e são crescentes tais acontecimentos, apesar da atuação exemplar da Policia Federal e do Ministério Público que, mesmo assim, neste caso, precisam vir a público prestar contas do resultado de suas operações.

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